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OS SINAIS CONTRADITÓRIOS DO CONSUMIDOR PORTUGUÊS
2017-03-02
O mercado FMCG registou um decréscimo de cerca de um por cento em volume e um aumento de 2,1% em valor no último trimestre de 2016, números que confirmam a tendência dos portugueses para comprar menos quantidade mas gastar mais a cada ida ao hipermercado. Os dados foram apresentados na terceira edição do Marcas+Consumidores, promovido esta quinta-feira pela Centromarca.
“Verificou-se uma evolução positiva do comportamento do consumidor ao longo de 2016. Essa evolução resulta essencialmente do aumento do valor dos produtos que leva para casa, sendo de notar que esse incremento supera amplamente a inflação alimentar. Há categorias de produto em que essa nova escolha é mais significativa e parece consolidar-se alguma diferenciação do comportamento do consumidor entre os centros urbanos mais populosos e as restantes regiões do país”, comenta Pedro Pimentel, director-geral da Centromarca.
O universo FMCG continua positivo, mas menos dinâmico do que há um ano, em parte pela menor quantidade de produtos comprados a cada ida ao hipermercado, que tem impedido o crescimento do sector. Este foi essencialmente penalizado, em volume, pelas categorias Alimentação (-1.4%), Higiene Pessoal & Beleza (-0.6%) e Bebidas (-0.1%), face ao mesmo período do ano anterior. Já a categoria Limpeza do Lar apresenta-se em contra ciclo (+1.2%) com a tendência geral e é a grande impulsionadora do aumento do volume da cesta. Dentro da categoria, os detergentes para a roupa mantêm-se como o maior investimento dos lares dos portugueses, ainda que os produtos para a loiça tenham vindo a perder importância no universo da limpeza da casa.
Postura perante a inovação
Os dados agora divulgados revelam também que os consumidores, principalmente os da faixa etária até aos 34 anos, estão mais atentos à inovação e querem mais conveniência quando se deslocam aos hipermercados. Estes compram e experimentam cada vez mais novos produtos, facto que pode ser explicado pelo crescimento promocional que tem levado à experimentação de novas marcas e ao aumento das compras exclusivas em promoção. De facto, os novos produtos já representam, em Portugal, 14% do sortido, um valor acima da média europeia (10%).
A tendência é, no entanto, negativa, observando-se um decréscimo de 3 pontos percentuais desde 2012. Um dos motivos capazes de explicar o fenómeno prende-se com o facto dos preços dos novos produtos, na generalidade dos países europeus, incluindo Portugal, ser 34% superior à média de valores praticados, o que conjugado com as dificuldades económicas e a compressão do orçamento disponível das famílias neste período, tornou marcas e retalhistas menos ambiciosos no que refere ao lançamento de produtos inovadores.
Os shoppers revelam também uma tendência crescente por produtos mais saudáveis, independentemente do preço. Estes não se importam de pagar mais por alimentos sem aditivos e sem conservantes, mas também com menor teor de sal e menos gorduras. Esta aposta por um estilo de vida mais saudável é transversal entre populações e extensível à categoria das Bebidas, o que revela que os esforços da Distribuição Moderna na adaptação a este tipo de consumidores tem sido recompensada – os produtos saudáveis sofreram um aumento de 2.4% em volume face ao período homólogo do ano anterior.
Marcas de distribuição representam apenas um terço do valor do FMCG
Utilizando os dados de um estudo comparativo da realidade de diferentes mercados, entre 2012 e 2015, na Europa, e ao contrário do que ocorre em Portugal, verifica-se uma tendência de crescimento da marca de distribuição (MDD). Desde 2012, Portugal tem vindo a apresentar uma tendência negativa ao assinalar um decréscimo regular na quota de mercado das MDD na ordem dos 12%, ao contrário, por exemplo, dos mercados alemão (+9%) e espanhol (+2%) que representam um maior peso do sortido das MDD.
No mercado nacional, as marcas de distribuição representam mais de 50% do sortido, mas valem apenas um terço do valor do FMCG. Apesar disso, os dados revelam que Portugal oferece a MDD mais atractiva da Europa, apresentando o melhor índice de preço face à marca de fabricantes, ultrapassando países como França ou Espanha. A elaboração do estudo Marcas+Consumidores está a cargo da Kantar Worldpanel.