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Pedro Ribeiro. O português por detrás dos novos megashoppings do Qatar
2016-08-19
Depois de gerir centros comerciais em Portugal e Espanha, foi contratado pelos árabes.
No Qatar, não há obras pequenas nem projetos modestos. Ainda para mais quando se aproxima o Mundial de Futebol de 2022 e não há problemas de financiamento, visto que o gás natural não foi afetado pela desvalorização que arrasou o petróleo. Havendo dinheiro e ambição, faltava encontrar os melhores profissionais do mundo, o que levou o gestor português Pedro Ribeiro a encabeçar projetos de três megashoppings no valor de 26 mil milhões de dólares (23,4 mil milhões de euros).
“Através de uma empresa de recrutamento internacional especializada em Top Management, fui abordado no Linkedin, tive algumas entrevistas via Skype e duas presenciais, quer no Dubai quer no Qatar”, revela Pedro Ribeiro, que, há já três anos, foi selecionado imediatamente após ser apresentado aos proprietários do primeiro projeto.
O Mall of Qatar é “o maior projeto de centro comercial dos próximos anos [no Médio Oriente] e tem uma visibilidade mundial”: ocupando a área de 50 campos de futebol, inclui mais de 400 lojas, um hotel de cinco estrelas, um estádio de futebol de 45 mil lugares, uma estação de metro, dois parques temáticos e um habitat de fauna e flora exóticas. “Seis meses após ter chegado, acumulei o meu segundo projeto (Doha Outlet Mall), ficando responsável por um portfólio que totalizava 26 mil milhões, entre portfólio operacional e projetos em curso”, relata o gestor, que ganhou o seu primeiro prémio de carreira, em 2006, precisamente quando geria o Outlet Factory de Vila do Conde, considerado pelo Internacional Council of Shopping Centre como o melhor Centro Comercial Outlet da Europa.
O prémio levou-o a liderar o projeto do Outlet de Tui e, pouco depois, a gestão do Fórum Viseu, com uma passagem pelo E. Leclerc. O Doha Outlet Mall é o primeiro Outlet do Médio Oriente, pelo que não teve dificuldade em comercializar as suas quase 200 lojas entre as marcas de topo internacionais, sendo ainda o único dos três megaprojetos de Pedro Ribeiro que já está a funcionar. “O grande desafio nesta zona do mundo é inaugurar os projetos.
Primeiro, pela falta de controlo orçamental, segundo pela cultura em que “se vai fazendo” e depois pelas condicionantes climatéricas e religiosas”, explica Pedro Ribeiro, que teve de adaptar-se à “obrigatoriedade das cinco rezas ao dia que quebra o ritmo de trabalho” ou à época do “Ramadão, onde só se trabalha até às duas”. Em construção, está ainda o terceiro megaprojeto, do tamanho de quatro NorteShopping: o Tawar Mall.
Os dois centros comerciais, que já tiveram data de abertura para o ano passado, “estão a ser preparados para serem inaugurados no fim deste ano, mas facilmente podem “derrapar” e apenas abrir no início de 2017”. Para conseguir articular os projetos, Pedro Ribeiro trabalha seis dias por semana, das 07.00 às 20.00. Quando consegue férias, vem a Portugal (este ano, já o fez por duas vezes) ou aguarda que a mulher o visite. “Já veio duas vezes e, como adoro o Dubai, conjugamos os períodos das férias dela com a minha atividade para passamos algumas temporadas neste país”, desvenda o gestor, preparado para regressar a Portugal de vez.
“A nossa prioridade é aumentar a família. Não sabemos muito bem se será para este ano ou para o próximo, mas é algo que desejamos muito”, desabafa, acrescentando que ambiciona “regressar a Portugal, pois gostaria de contribuir para o desenvolvimento do meu país”. Tendo já recusado convites para trabalhar na Rússia, no Cazaquistão, no Egito e também no Dubai, o gestor que começou a trabalhar aos 16 anos, nas férias, a dobrar calças numa loja Levi Strauss, lamenta a falta de reconhecimento em Portugal.
“Não somos um povo de reconhecer o sucesso dos seus compatriotas. Se saí como um gestor de sucesso premiado na área dos centros comerciais, hoje em dia sou um gestor completo, capaz de gerir não só grandes superfícies comerciais, seja qual for o formato, mas também holdings com bastantes subatividades, e isso em Portugal nunca foi reconhecido”, lamenta. De facto, por sair de Portugal, Pedro Ribeiro foi reconhecido como Portuguese International Business Entrepreneur do ano, no Congresso Internacional de Capital de Risco, em dezembro de 2014.